PRESSPAUSEPLAY

“a film about hope, fear and digital culture”

Indústria Criativa. Novos meios de distribuição. Novas motivações. Mais um filme que gira em torno dessas temáticas que, na verdade, apontam uma grande crise na cultura. Se todos são artistas, the craft [in culture] is gone e se vivemos em um grande “ocean of garbage”, o que resta de humano na arte? 

O documentário se concentra nos múltiplos pontos de vista, histórias, sensações e possibilidades. Muitas conclusões são ensaiadas, mas nenhuma significativamente grifada. Até porque assumir posições afirmativas pode ser pretensioso demais. Trabalho investigativo e forma memoráveis e inquestionáveis. Mesmo assim, me senti mais uma vez na sala de espelhos, cercado de opiniões sobre opiniões, reblogs e reposts. 

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Miranda July’s The Future =)

Miranda July’s The Future =)

ANTICHRIST

“Your thoughts distort reality…not the other way around.”

A primeira camada de significação do filme atlvez seja a relação da racionalidade com a natureza humana. E outras questões igualmente complexas que dela nascem, como o sofrimento, a dor, o desespero e, obviamente, a morte.

E para facilitar, Lars confronta a natureza humana com a razão [e a psicologia] ao longo do filme todo. Nesse sentido, é impossível negar o contexto psicanalítico. E claro que colocar um psicólogo como personagem que sofre as últimas consequências de seus próprios exercícios e teorias não é mera coincidência.

E tudo isso é amarrado pela questão que, na minha opinião, é o centro da obra do Lars:  o indivíduo e suas inúmeras camadas de significação, seus limites, suas intepretações de si. E, acima de tudo, o indivíduo e a gênese do Mal. Claro que a natureza malévola dos seres humanos é um tema central da obra do Lars, mas acredito que Anticristo seja o filme onde isso não só é mostrado incessantemente, como em Dogville, como pluralmente interpretado. Ao contrário da Grace [Dogville], aqui a protagonista tem o Mal dentro de si. Entramos em contato com essas facetas conforme o argumento se desenrola e a “gradação” de seus medos não poderia ser mais simbólica da gênese do mal no argumento do filme [e talvez da obra do Lars]: Nature < Satan < Me.

Mas o interessante é que ele não se limita a essa perspectiva. Por exemplo, “Nature is Stan’s church”. O contexto religioso é uma alegoria muto eficiente, visto que a mulher é vista como a encarnção do Mal, a corruptora do Éden, a causa de toda culpa cristã. Mas aqui estamos falando de uma releitura do pecado original, afinal trata-se de um Édem já subvertido, que tem como pano de fundo uma floresta de corpos mortos. Aqui, Adão e Eva tiveram um filho que foi impelido a cometer o suicídio, talvez por não conseguir segurar a culpa dos pais mesmo antes de saber o que é culpa.

Talvez nesse ponto seja possível enxergar uma outra teoria: quem sabe as próprias mulheres não tenham consentido o Feminicídio [gynocide] porque elas próprias enxergam-se [ou enxergaram-se] como sacerdotisas dessa igreja de Satã. E é por isso que acho míope acusar o diretor de misogenia, uma vez que o argumento do filme talvez seja exatamente o contrário. Não acredito que o Lars goste de ver as mulheres sofrerem, mas sim as coloca como protagonistas maiores de todo o sofrimento e culpa cristã que lhes foi depositado desde o nascimento da igreja católica. E talvez ele não só entende como compartilha de tamanha carga.

De novo, não é um filme sobre misogenia, como pode parecer à primeira vista, mas sim um filme sobre o processo de Luto. Não necessariamente morte física, mas sim à perda. São inúmeros os lutos ao longo da trama: a perda da inocência, a perda da pureza, a perda da crença em si mesmo.

Visualmente o filme é pura poesia. Alias, está cada vez mais claro para mim que o Lars Von Trier está em processo intelectual/artístico de materializar sensações. Na verdade é algo mais complexo que isso. trata-se de criar metáforas visuais sofisticadas o suficiente para tornarem-se sensoriais. Explico: conseguir criar composições na tela que, mesmo que não sejam 100% compreendidas pela razão, consigam ser sentidas na pele.

O final permanece uma incógnita para mim. Tenho algumas interpretações possíveis, por exemplo o Adão que se vê sem saída nesse jardim de Evas. Mas ainda são muito embrionárias para afirma-las com mais convicção. Preciso entender melhor para poder afirmar algumas coisas com maior  embasamento. E é isso que me faz gostar tanto de sua obra: multiplas possibilidades de interpretação. Minha única certeza é que, definitivamente, Lars não é integrado, mas muito apocalíptico. “Chaos reigns”.

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BLACK SWAN

Perfection is not just about control. It’s also about letting go. Surprise yourself so you can surprise the audience. Transcendence! Very few have it in them.”

Não achei que fosse atender às expectativas, ainda mais superá-las. Méritos técnicos não precisam ser debatidos. Cinematography impecável, planos e enquadramentos finos. Dá pra ver que o Dareen Aronofsky não começou hoje. Tudo ensaiado, repensado, executado com perfeição. As nuances cromáticas transmitem boa parte da sensibilidade do filme. filtros grisalhos, cenas quase p&b até que o Nina finalmente sucumbe às emoções, tão intensas e tão confusas. A cena na danceteria é uma das melhores representações de entorpecimento que já vi. E o figurino, ah o figurino. Belíssimo trabalho da Rodarte. 

 Natalie Portman definitivamente chegou no topo. Vai ser difícil encontrar um papel a essa altura. Acho que é o limiar que poucas atrizes conseguem atingir de “agora sigo a trajetória Meryl ou já era”. Mas depois de Black Swan, V for Vendetta e Closer, acredito que não há como ela tomar as decisões erradas. 

Pensei muito no culto a perfeição, a mensagem mais óbvia de toda a história, e que torna o filme quase atemporal. Retrata perfeitamente a clausura de culpa e auto-flagelação a que o ser humano se submete a partir das expectativas estratosféricas. 

O que mais me impressionou foi a habilidade com que o diretor traduziu o sentimento de angústia na tela. Faz voce até sentir raiva de si mesmo por estar assistindo o filme, tamanha a pressão no peito. Faz pensar sobre os limites da razão e da loucura e, acima de tudo, nas fronteiras entre o belo e o grotesco. As coreografias não são o foco, mas sim a relação das bailarinas com sua arte e seu fardo, criaturas aprisionadas pela beleza e delicadeza, emocionalmente truculentas e imaturas. O preparo das sapatilhas pontua muito bem essa relação que sufoca, enraivece e enlouquece. 

É um biscoito muito fino para as massas. Deve ser degustado com paciência, sensibilidade e coração. 

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127 HOURS

James Franco já é 50% do caminho andado para que o filme seja bom. Ah não, tem Homem Aranha. #fail.De qualquer forma, o filme é um daqueles suspenses psicológicos muito finos, tecido sem abusar dos clichés e através de uma linguagem incrivelmente contemporânea. Cinematography? Sim, muita. Na minha opinião, um dos trabalhos mais maduros do Danny Boyle desde Trainspotting.

127 Horas me emocionou porque consegue traduzir toda a complexidade da alma de um homem solitário, talvez seja o expoente máximo de uma solidão que todos nós partilhamos. Na verdade, acredito que seja um contraponto: queremos tanto fugir, nos isolar  em nosso mundo exclusivo [e despovoado], mas….por quê? Talvez a solidão não seja tão reconfortante assim. Ao mesmo tempo, claro que trata da autosuperação, do controle/descontrole e da velha história de que, apenas em stuações extremas [/de vida ou morte] é que conseguimos analisar nossas vidas e prioridades com lucidez.

Resumindo: biscoito phyno, muito phyno.

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THE SOCIAL NETWORK

Me fez pensar em como faço parte de uma geração de garotos que acham que são ou vivem tentando parecer homens. Aliás, mas um filme que expõe a insegurança masculina nesses tempos de inúmeras conexões.

Me fez pensar na nossa imaturidade e na eternização da adolescência.

Me fez pensar em motivações e o que realmente define a genialidade.

É um filme sobre a busca eternamente incompleta. É um filme sobre a detrupação da amizade.É um filme sobre a flexibilidade dos valores.

E de como a propaganda sempre estraga tudo.

Definitivamente não é uma história a altura de outras já contadas pelo Fincher, mas definitivamente é uma bela história.

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INCEPTION

“What is the most contagious parasite? An idea”

Não sei por onde começar. Sim, acabei na mesma vala mental de toda crítica. Difícil descrever. Meu nariz estava torto até a hora em que sentei na cadeira do cinema, afinal a histeria projetou expectativas maiores ainda.

O ritmo é alucinante, tão intenso que absorver todos os acontecimentos torna-se tarefa quase impossível. Acredito que metade do mérito do filme deve-se ao grande  mindgame, angústia de tentar absorver todos os estímulos oferecidos.

Talvez o melhor filme lançado em 2010 por ser uma tradução fina de sintomas vicerais dos tempos em que estamos vivendo. Em primeiro lugar, a relação cada vez mais conturbada com a longevidade e todo drama psicológico de uma vida eterna, mesmo que vivida com absoluta juventude. Tudo isos sem apelar para vampiros.

Retrato muito classudo da forma como temos vivido nossos relacionamentos humanos,  intensos e proporcionalmente incompletos.”Mal: Do you know what it is to be a lover? Half of a whole” / “Cobb: She locked away a secret, deep inside herself, something she once knew to be true… but chose to forget.” / “Mal: I’m the only thing you do believe in anymore. Cobb: I wish. I wish more than anything. But I can’t imagine you with all your complexity, all you perfection, all your imperfection”

O que acho mais intrigante é que nossa era foi inúmeras vezes prevista como o tempo da escalada espacial e, considerando a velocidade como dizimamos o planeta, talvez fosse mesmo a causa mais coerente. No entanto, as fronteiras da mente são a nossa maior batalha, cada vez mais sedutora e massacrante. Se os acadêmicos discorrem cada vez mais sobre “a whole new mind”, Inception oferece uma tradução clara para as massas do que significa [ou de onde podemos chegar] com a quebra da linearidade, a histeria por conexões, digitalização antropológica e mais um monte de conceitos muito atuais ou idéias estapafúrdias que se formam na minha cabeça.

Tudo isso sem entrar na linha mestra dos sonhos, surrealismo tecnológico, se é que isso existe. Tema extremamente sedutor e, portanto, infinito.

O roteiro mexeu tanto comigo que não consegui nem tecer comentários sobre a magnitude dos efeitos, dignos de ivejar o Lary e o Andy Wachowsk. Ah sim, atuações memoráveis…DiCapiro at his best, Joseph Gordon-Levitt (500 days of summer), Marion e Elen Page. E ainda quero descobrir a ironia da música do despertar ser Piaf. Já descobri algumas sutilezas brilhantes: Em primeiro lugar, a letra é belíssima:

Varridos os amores
E todos os seus tremores
Varridos para sempre
Recomeço do zero.”

Além disso, Nolan foi incrível o bastante para tirar a trilha tensa de um pedaço de Non, Je ne Regrette Rien…http://bit.ly/bUMRqx

Terminei o filme exausto. Emoções transbordando e reflexões escorrendo. Estuporado por tantas referências, pensamentos e sensações. E apaixonado pelo Christopher Nolan, genio ao dirigir E ESCREVER um blockbuster tão complexo, roteiro desafiadoramente nutritivo e deliciosamente calórico. Ou seja, obra de arte e produto ao mesmo tempo, agradável para begginers e pros, tudo junto e misturado.

CRÔNICA DE UM VERÃO

“Somos felizes porque não pensamos na felicidade. Pensar na felicidade é pensar na infelicidade.”

Documentário parisiense dos anos 1960. Difícil descrevê-lo, apontar seu objetivo ou finalidade, porque começa de um jeito e, de repente, te dá uma grande invertida. Na verdade são várias. E acredito que são iúmeras, porque cada espectador provavelmente sente esse filme de uma forma diferente, única. 

A primeira metade do filme te faz refletir muito sobre a sociedade em que vivemos, as motivações das pessoas e a forma como elas  encaram uma pergunta extremamente incisiva: “voce é feliz?”. Obviamente as respostas te fazem pensar sobre a sua resposta e nas razões que te levam a conduzir sua vida do jeito que vc a vive.

Deu vontade de perguntar isso para todas as pessoas que eu conheço, inclusive para a minha família. Aliás, por que não fazer um documentário inteiro só com as respostas da minha família a essa pergunta?!

E aí me peguei pensando  as minhas próprias verdades. Acho que tenho um plano e ele é relativmente claro. O problema é não saber a razão pela qual estou seguindo esse plano. Talvez ele nem seja meu. Talvez seja da famigerada sociedade. Mas sem ele, o que eu estaria fazendo? Talvez o problema não seja não ter um plano, e sim não ter um sonho. Essa pergunta tem me incomodado há um tempo, talvez desde que me formei e tenho visto/lido/conversado muito sobre longevidade. Pela primeira vez na vida, acho que parei de me preocupar tanto com o “e agora?” e me sentir mais desafiado por “onde eu quero chegar com tudo isso?”. Talvez essa seja a grande pergunta sem resposta.  É estudar? É morar fora?  É encontrar uma pessoa só para mim? Cada vez mais, tais opções parecem meras ditrações, ou soluções incompletas. Talvez a consciência seja o primeiro passo. E sei que preciso de terapia para dar os próximos. Talvez eu esteja num processo de jornada, experiência catártica que não tem volta. Mas ao mesmo tempo não sinto que estou efetivamente me esforçando nessa ornada. Ou quem sabe a jornada não seja só um processo intuitivo mesmo…

Em um determinado ponto, você simplesmente abafa tantas questões anteriores para projetar tudo no outro, na sociedade. Mesmo que seja uma grande fuga, também produz boas reflexões. Não só pelo velo cliché da infelicidade generalizada, pela perseguição de bens que afasta as pessoas da sua jornada espiritual/afetiva, etc. Mas também porque te faz pensar na maturidade das sociedades. Fazendo um paralelo dos debates dos franceses com o Brasil, é nítido nosso grau de imaturidade, falta de senso crítico, falta de cidadania e politização. Mas em frente ao niilismo das pessoas retratadas, talvez nossa política do pão e do circo não parece uma idéia tão ruim.

E aí o filme te traz tomadas belíssimas, incrivelmente simples e emocionantes. Personagens passando por emoções extremas e também meras situações do dia-a-dia.

Obvio que tudo isso provoca reflexões sobre emoções humanas e seus retratos. Aí o traço metalinguistico do filme explode, propondo um debate sobre a pesquisa em si, sobre a veracidade do retrato da realidade, a intervenção da câmera, etc. Tudo isso culmina em um final incrível. Todos os participantes/personagens são colocads em uma mesma sala de projeção e convidados a debater o que viram. Farpas e reflexões sobre a veracidade explodem. E depois disso os diretores-pesquisadores concluem que suas ambições não foram necessariamente alcançadas com o projeto.

No lugarde retratar o amor, o filme acabou provocando diversas reações nas pessoas, muitas vezes respostas nada simpáticas. E talvez esse seja o maior mérito dessa obra: provocar uma reflexão profunda sobre a verdade em si, extrapolando a metalinguagem do cinema-verdade. As verdades da vida são tão incômodas, provocantes e polarizadoras quanto o filme. Como na vida real, despertam paz só em seres muito evoluídos.

Resumindo, esse fime me sacudiu. De novo.

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HAYAO MIYAZAKI: SPIRITED AWAY, HOWL’S MOVING CASTLE E PONYO

Demorei muito tempo para “descobrir” Miyazaki. Eis que megulhei em Spirited Away [Chihiro], How’s Moving Castle e Ponyo de uma vez só. E foi incrível. Consegui ter um panorama muito claro do surrealismo que ele propõe, doce e sutil em cada nuance.

Personagens  e sequencias incrivelmente emocionantes, daquelas que misturam suspiros, sorrisos e muita poesia. Miyazaki materializa a essencia de amor, bonade e sensibilidade. E aí é inevitável não comparar à sua realidade e pensar na última vez que sentimentos genuinamente puros correram nas suas veias.

Sem falar no traço, na explosão de cores, nas composições. O mundo definitivamente explodiria se esse cara trabalhasse na Pixar…

[fichas completas: Spirited Away, Howl’s Moving Castle e Ponyo]

FIGHT CLUB

“We are the all singing dancing crap of the world”

A pergunta é: como pude viver sem ter assistido esse filme? Essa pergunta explodiu minha cabeça. Agora eu entendo pq o cara entrou no cinema metralhando todo mundo. Fucking mindblowing.

Não tenho maturidade e repertório o suficiente para absorver todas as referências que, juntas, compõe uma das maiores obras primas que já cruzou meu caminho. Mas consigo perceber que isso aqui é fino, muito fino. Disseca hipermodernismo com classe e muitos litros de sangue, as dirty, sharp and chic as this thing we call life.

“We have no Great War, no Great Depression. Our great war is a spiritual war. Our great depression is our lives.”

“This is your life, and it’s ending one minute at a time.”

“It’s only when you’ve lost everything that you’re free to anything.”

“We’re designed to be hunters and we’re in a society of shopping. There’s nothing to kill anymore, there’s nothing to fight, nothing to overcome, nothing to explore. In that societal emasculation this everyman [the narrator] is created.” - David Fincher

E aqui tem mais uma lista infinita de quote espetaculares. Preciso ler esse livro.

Cara deixa claro que um filme de verdade não sobrevive só com roteiro brilhante, mas com uma direção acertiva em cada frame e atuações legendárias. By the way, God bless Edward Norton, Brad and Helena Boham Carter.

Graças a Fight Club descobri que sou apaixonado pelo David Fincher. O cara dirigiu Se7en, Benjamin Button e o clipe de Vogue. For Christ sake, ele foi produtor de Love and Other Disasters. Pq ele é incrível? “I don’t know how much movies should entertain. To me, I’m interested in movies that scar”. This one really left a scar on me. thanks.

E aí fiquei pirando nas interpretações….alguns pensamentos soltos:

O tom homoerótico traz um apelo sexual e sombrio ao mesmo tempo.

“The narrator cannot find happiness, so he travels on a path to enlightenment in which he must “kill” his parents, his god, and his teacher.”

Fincher explained: “[Tyler] can deal with the concepts of our lives in an idealistic fashion, but it doesn’t have anything to do with the compromises of real life as modern man knows it. Which is: You’re not really necessary to a lot of what’s going on. It’s built, it just needs to run now.”

“The narrator seeks intimacy, but he avoids it with Marla Singer, seeing too much of himself in he r. While Marla is a seductive and negativist prospect for the narrator, he instead embraces the novelty and excitement that comes with befriending Tyler Durden. While Tyler desires “real experiences” of actual fights like the narrator at first,he manifests a nihilistic attitude of rejecting and destroying institutions and value systems. His impulsive nature, representing the ID, conveys an attitude that is seductive and liberating to the narrator and the members of Project Mayhem”

Brad Pitt said: “Fight Club is a metaphor for the need to push through the walls we put around ourselves and just go for it, so for the first time we can experience the pain.”

The characters, having undergone societal emasculation, are reduced to “a generation of spectators”. A culture of advertising defines society’s “external signifiers of happiness”, causing an unnecessary chase for material goods that replaces the more essential pursuit of spiritual happiness. Norton’s character also walks through his apartment while visual effects identify his many IKEA possessions. Fincher described the narrator’s immersion, “It was just the idea of living in this fraudulent idea of happiness.” The violence of the fight clubs serves not to promote or glorify physical combat, but for participants to experience feeling in a society where they are otherwise numb.

Alguns comentários da crítica: “an accurate portrayal of men in the 1990s”;

A campanha de lançamento do filme é um caso a parte, prova concreta de que a pesquisa e “o cliente” sempre querem estragar tudo. Parece piada: “Research testing showed that the film appealed to teenagers. Fincher refused to let the posters and trailers focus on Pitt and encouraged the studio to hire the advertising firm Wieden+Kennedy to devise a marketing plan. The firm proposed a bar of pink soap with the title “Fight Club” embossed on it as the film’s main marketing image; the proposal was considered “a bad joke” by Fox executives. Fincher also released two early trailers in the form of fake public service announcements presented by Pitt and Norton; the studio did not think the trailers marketed the film appropriately. Instead, the studio financed a $20 million large-scale campaign to provide a press junket, posters, billboards, and trailers for TV that highlighted the film’s fight scenes. The studio advertised Fight Club on cable during World Wrestling Federation broadcasts, which Fincher protested, believing that the placement created the wrong context for the film.”

E para reforçar como esse mundo é muito louco, o filme foi um mega fracasso de bilheterias: “ The film, whose production budget was $63 million, grossed $37,030,102 from its theatrical run in the United States and Canada and earned $100,853,753 in theaters worldwide. In the other hand, the DVD was one of the largest-selling in the studio’s history; it also grossed $55 million in video and DVD rentals. With a weak box office performance in the United States and Canada, a better performance in other territories, and the highly successful DVD release, Fight Club generated a $10 million profit for the studio.”

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EDIFÍCIO MASTER

“A realidade da vida é o funeral das ilusões” - Sérgio, administrador do Ed Master.

Mais um documentário avassalador do Coutinho. Histórias que fazem voce se sentir muito vivo, transboradando de emoção. Diversas vezes voce se pega pensando em como o ser humano é maluco e cheio de becos misteriosos. Deu vontade de morar naquele prédio só para poder esbarrar com uma daquelas estórias no elevador pela manhã.

Documentaristas tem uma sensbilidade invejável, de quem realmente sente as pessoas de uma forma diferente. E acho que todo mundo deveria assistir mais documentários sobre pessoas só para tratar melhor os vizinhos ou mesmo só para aprender a conviver em sociedade.

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SHUTTER ISLAND

Suspense psicológico muito fino do Scorsese, maestro que conduz duas horas inteiras de pura tensão. DiCaprio finalmente me convenceu de que virou gente grande. Atuação impecável, digna de um Sean Penn. Ah sim o Mark Ruffalo também se justifica. Muitas palmas para a fotografia, cinematography e para a Sandy Powell e seus figurinos tão afiados.

Por mais obvia que seja a reflexão, voce se pega pensando na tenuidade do limite entre razão e loucura, bom senso e maniulação. Aliás, filmes com jogos mentais e pagadinhas morais fazem um bem danado para sua consciência da realidade. Equipe inteira deve ter tido muito orgulho de ter feito esse job.

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JOGO DE CENA

“Tem gente que passa o dia todo na rua e não olha para o céu” - Maria Nilza

Ignorância absoluta não conhecer Eduardo Coutinho, eu sei. Aí resolvi começar por Jogo de Cena por toda pegada “etnográfica” e pela simpatia que tenho por qualquer coisa feita com a  Fernanda Torres e a Andréa Beltrão. Obviamente terminei o filme ainda mais apaixonado por elas e por todas as outras mulheres e suas estórias.

Várias mulheres respondem a uma pergunta fundamental: por que se dispuseram a atender a um anúncio para contar histórias de vida num filme. São diversos relatos misturados com interpretações, o que te deixa eternamente em dúvida sobre a “veracidade do que está sendo mostrado”. Aliás, aqui fica uma provocação metalinguística bem interessante e desafiadora. No final das contas, tudo é construído de forma tão emocionante que chega um ponto em que você nem quer mais distinguir ficção e realidade. Tudo que interessa é continuar apreciando a sensibilidade de cada frase. E são muitas, dentre elas:

“Quando o choro é verdadeiro [e doloroso], as pessoas tentam esconder”  - Marilia Pera

“Quando o personagem é fictício voce pode chegar até um nível medíocre que tá bom, é a sua média. Mas quando é um personagem real, a realidade vem e esfrega na sua cara onde voce devia ter chegado.” - Fernanda Torres

Senti orgulho das mulheres que aparecem na tela. E parei para pensar no valor de um documentário e em como tenho de prestar mais atenção nas histórias das pessoas ao meu redor. Deu vontade de pedir para o outro me contar a história da vida dele. E de saber fazer as perguntas certas, grande talento do seu Coutinho.

E aí ficou uma última reflexão: um bom filme pode [/tem] de ser muito simples. Uma boa estória é tudo. E qualquer coisa além disso é pura parafernalha.

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A SINGLE MAN

“Sometimes awful things have their own kind of beauty.”

Todos os comentários e críticas me fizeram torcer o nariz. E eis que resolvi dar uma chance para o filme do Tom Ford. E fui feliz. Sequencias belíssimas, fotografia preciosista e direção de arte impecável. Lembro que li em algum lugar que cada cena parece um editorial. Verdade. Editoriais quase poéticos, cheios de nuances saborosas.

Ah sim, Colin estrondoso, as usual. Juliane Moore chega a ser irritante de tão bela.E Matthew Goode é um agrado a parte. Alias, Jin é o personagem com quem mais me identifico. Ou com quem eu gostaria de me identificar. Segurança e alegria invejáveis.

Personagens extremamente bem construídos, tão reais que chegam a dar angústia. Me fez pensar muito nas sutilezas de um suicídio e também na fugacidade dos relacionamentos, por mais significativos que eles sejam. Mesmo assim me deu vontade de viver novos amores, mas sem preocupações com o futuro, apenas na intensidade do presente.

Apesar do ritmo mais lento, parabéns sr Tom Ford. =)

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WHATEVER WORKS

Sem repertório para afirmar com propriedade se isso é ou não é um legítimo Woody Allen, mas gostei muito de qualquer forma. Roteiro despretensioso que me fez pensar no poder e no senso de humor das casualidades e em como é gostoso se apaixonar, apesar de todas as dificuldades e crises envolvidas no processo. Acho que é muito alinhado à forma como temos concebido felicidade na incessante e angustiante busca por sorrisos.

Cada personagem traz um pouquinho de identificação e loucuras delicosamente reais. Taí um ponto muito interessante em todos os Woody’s que já assisti: roteiros semi-absurdos que acabam sendo bizarramente verossímeis. E aproveitando a vibe de frases wannabe-intelectualóides, o diálogo em que se fala que Deus é gay é genio. Faz sentido. Esse mundo tem detalhismo, crise e complexidade demais para que Ele seja hetero.

Acho que o grande ponto é o título mesmo. Fez com que eu pensasse em tanta culpa que nos massacra diariamente para atender aos planos e ideais. Sem pretensão, pessoal. When it comes to happiness, whatever works is ok. =)

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